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Refluxo: conheça as causas e o tratamento

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Dr. DécioA doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma doença ainda pouco falada no Brasil – apesar de, no País, atingir um número que varia de 20 a 36 milhões de pessoas. Na DRGE, o conteúdo do estômago reflui para o esôfago, provocando sintomas desagradáveis e/ou complicações, como azia, queimação, tosse e dor torácica. A novidade sobre tudo o que envolve a doença é que, recentemente, ganhou um novo percurso no tratamento, com um princípio ativo que possui um mecanismo único de dupla liberação, proporcionando um controle maior da acidez do estômago e, consequentemente, a cicatrização de lesões e o alívio dos sintomas; com a diferença que pode ser utilizado em qualquer hora do dia, bem como associado ou não a alimentos.
Mesmo com os avanços nos tratamentos, os especialistas são unânimes em afirmar que é preciso aumentar a conscientização sobre a doença na população, divulgando informações sobre diagnóstico, sintomas, tratamento e/ou a chegada de mais uma opção de tratamento. “O número de pessoas que convivem com a DRGE representa uma parcela muito significativa da população. Contar com uma ampla gama de opções terapêuticas para atender as diferentes necessidades dos pacientes é um fator muito relevante, que contribui para a saúde e qualidade de vida dos pacientes”, reforça o Dr. Décio Chinzon (foto acima), doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e médico-assistente da disciplina de Gastroenterologia Clínica do Hospital das Clínicas da FMUSP.
Nesta entrevista ao Saúde& Beleza, do Diário do Nordeste, o especialista responde a algumas perguntas sobre o problema, no sentido de esclarecer a população.

SAÚDE&BELEZA: O que é o refluxo? Que tipo de pessoa é mais propícia a ele?
DÉCIO CHINZON: A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o conteúdo gástrico, normalmente ácido, reflui para o esôfago provocando a sensação de queimação. A estimativa é de que haja prevalência entre 12% a 20% da população brasileira, o que equivale de 20 a 36 milhões de pessoas no País que convivem com a condição.
A doença do refluxo é mais comum na população ocidental, da raça branca e nos indivíduos obesos.

De que forma a doença se manifesta?
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) se manifesta através de dois tipos de sintomas: os chamados típicos – sensação de queimação ou azia que pode começar na “boca do estômago” e sobe em direção a garganta ou a regurgitação. Nesse caso, os incômodos mais comuns são azia e regurgitação. Outros sintomas, chamados de atípicos, também podem estar relacionados à DRGE, como tosse, pigarro, rouquidão e dor torácica.

Qual é a origem do problema?
O refluxo gastroesofágico ocorre por uma ineficiência do esfíncter ou válvula presente entre o esôfago e o estômago, que perde a capacidade de conter o refluxo do conteúdo do estômago para o esôfago.

O que pode ser feito para preveni-lo?
Algumas medidas ajudam a prevenir o refluxo, como: não comer e deitar em seguida (é necessário aguardar pelo menos 2 horas), emagrecer e evitar alimentos considerados como facilitadores do refluxo, como gordurosos, condimentados, achocolatados e doces. Tabagismo e o uso abusivo do álcool também devem ser combatidos.

De que forma é feito o diagnóstico?
A endoscopia é o melhor método para o diagnóstico do refluxo, principalmente por estar disponível em vários centros do País. Ela permite a visualização direta da mucosa do esôfago, verificando a presença ou não de lesões inflamatórias, hérnia de hiato, entre outras coisas. Outros exames como a pHmetria, impedâncio-pHmetria também podem auxiliar no diagnóstico.

Uma vez detectado/comprovado, como se procede o tratamento?
O tratamento da DRGE pode ser feito de diversas formas, sendo orientado caso a caso. Inicialmente, é recomendado agir com as medidas ditas comportamentais, que ajudam a prevenir o refluxo. Os tipos de medicamento mais indicados para o tratamento são os inibidores da bomba de prótons (IBP), por terem a maior capacidade de inibir a produção do ácido clorídrico. Outros medicamentos que não exigem prescrição podem ajudar para a redução dos sintomas, como os antiácidos. Apesar da maioria dos medicamentos serem isentos de prescrição, é fundamental a orientação do médico, pois ele é a pessoa mais adequada para indicar a melhor opção para o paciente. Ainda em relação às novidades do tratamento desta doença, o que há de novo no mercado é o dexlansoprazol. Possui um mecanismo único de dupla liberação que proporciona uma inibição da secreção ácida mais potente e constante nas 24 horas, com um controle maior da acidez do estômago e, consequentemente, maior probabilidade de cicatrização de lesões e o alívio dos sintomas. Este mecanismo permite o uso em qualquer hora do dia, bem como associado ou não a alimentos.

O refluxo tem cura? Ou seja, quando a pessoa faz o tratamento pode ficar livre do problema para sempre?
O refluxo é considerado uma doença crônica – não tem cura, ou seja, muitos pacientes terão a necessidade de um tratamento a longo prazo, eventualmente por toda a vida. No entanto, cada paciente tem sua resposta individual, com alguns necessitando o uso de medicação contínua, outros utilizando a medicação conforme a demanda e outros não fazendo uso de medicação nenhuma obedecendo somente as medidas comportamentais. Uma vez controlado o problema, e o indivíduo seguindo as orientações do médico, a resposta terapêutica é ótima e a probabilidade de complicações é mínima.

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